PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
NOTÍCIA

29/12/2020

Mar Morto está secando, e pode até desaparecer

Com 82 km de comprimento e 300 gramas de sais para cada litro de suas águas, o Mar Morto perdeu 35% do volume total de sua bacia nos últimos 40 anos
 
Da Redação/Estadão/SP

Para começar, o Mar Morto não é um mar, mas um imenso lago com dimensão de 82 quilômetros de comprimento por 18 de largura. E fica num lugar complicado do ponto de vista geopolítico: o Oriente Médio. Sua costa oriental pertence à Jordânia, e a metade sul a Israel. A metade norte fica dentro da Cisjordânia Palestina e está sob ocupação israelense desde a guerra árabe-israelense de 1967.

Sua localização exata não o favorece
Sua localização exata não o favorece. O Mar Morto está situado 400 metros abaixo do nível do mar Mediterrâneo, o ponto mais baixo da Terra. O nome vem em razão da brutal quantidade de sal de suas águas, o que torna a vida impossível, exceto para bactérias. Segundo o mundo educação, “estima-se que sejam 300 gramas de sais para cada litro de água, sendo que a quantidade considerada normal nos oceanos é de 35 gramas para cada litro de água.” Mas esta situação complicada é o que fez dele uma atração turística, agora ameaçada.

A formação do Mar Morto
A britânica explica: “O rio Jordão, de onde o Mar Morto recebe quase toda a sua água, flui do norte para o lago. Por várias décadas, em meados do século XX, o valor padrão dado para o nível da superfície do lago ficou cerca de 400 metros abaixo do nível do mar. No entanto, a partir da década de 1960, Israel e Jordânia começaram a desviar grande parte do fluxo do rio Jordão e aumentaram o uso da água do lago para fins comerciais. O resultado dessas atividades foi uma queda vertiginosa no nível da água do Mar Morto. Em meados de 2010, a medição do nível do lago estava a mais de 30 metros abaixo da figura de meados do século 20 – ou seja, cerca de 430 metros abaixo do nível do mar.”

Tempos bíblicos
Ainda de acordo com a britânica, “Durante os tempos bíblicos e até o século VIII d.C, apenas a área ao redor da bacia norte era habitada, e o lago era um pouco menor do que o nível atual. Chegou ao seu nível mais alto, 389 metros abaixo do nível do mar, em 1896. Mas recuou novamente após 1935, estabilizando-se a cerca de 400 metros abaixo do nível do mar por várias décadas.”

Formação geológica do Mar Morto
Britânica: “Durante a época do mioceno (23 a 5,3 milhões de anos atrás), quando a placa tectônica da Arábia colidiu com a placa da Eurásia, o levante do fundo do mar produziu as estruturas dobradas das terras altas da Transjordânia e da faixa central da Palestina, causando as fraturas que permitiu que um bloco avariado da crosta terrestre onde se situa o Mar Morto caísse.

Pleistoceno
Durante a Época do Pleistoceno (2.588.000 a 11.700 anos atrás), subiu a uma altitude de cerca de 200 metros acima do seu nível moderno, formando um vasto mar interior que se estendia a 320 km da área do vale de H̱ula. O Mar Morto não transbordou para o Golfo de Aqaba porque foi bloqueado por uma elevação de 30 metros na parte mais alta de Wadi Al-abArabah, um curso de água sazonal que flui em um vale a leste do planalto central do Negev”.

O que acontece hoje?
Ainda a britânica: “Como a água no lago evaporou mais rapidamente do que foi reabastecida pela precipitação nos últimos 10.000 anos, o lago encolheu gradualmente para sua forma atual. Outra consequência resultante do nível mais baixo do Mar Morto é o surgimento de poços, especialmente na parte sudoeste. À medida que a água no lago desaparecia, tornou-se possível que as águas subterrâneas subissem e dissolvessem grandes cavernas subterrâneas na camada salina que fica sobreposta até a superfície finalmente entrar em colapso”.

O processo é parecido com a extração de sal no Rio Grande do Norte, responsável pela produção de 90% do sal consumido no País. Os produtores represam água salgada que, por causa do forte calor, do vento, e da pouca chuva, acaba evaporando
.
Um pouco de história: os Manuscritos do Mar Morto
Este corpo d’água faz parte da história da humanidade desde priscas eras. Segundo a britânica, “o nome Mar Morto pode ser rastreado pelo menos até a Era Helenística (323 a 30 a.C). As figuras do Mar Morto nos relatos bíblicos datam da época de Abraão (primeiro dos patriarcas hebreus) e a destruição de Sodoma e Gomorra. O deserto desolado ao lado do lago ofereceu refúgio a Davi (rei do antigo Israel) e, mais tarde, a Herodes I (o grande; rei da Judeia), que na época do cerco de Jerusalém pelos Phartas, em 40 a.C, se abrigou em uma fortaleza em Massada, Israel”.

Suicídio em massa
“Massada foi palco de um cerco de dois anos que culminou no suicídio em massa de seus defensores judeus zelotes e na ocupação da fortaleza pelos romanos em 73 EC. A seita judaica que deixou os manuscritos bíblicos conhecidos como Manuscritos do Mar Morto se refugiou em cavernas em Qumrān, a noroeste do lago”.

Dentro de 30 ou 40 anos o Mar Morto pode desaparecer
O site https://www.a 12.com/ diz que “o alerta foi lançado por um grupo de especialistas em um editorial publicado pelo Jordan Times. O presidente da Jordan Geologists Association, Sakher Nsour, aponta que o Mar Morto é ‘um fenômeno geológico único, que corre o risco de desaparecer nas próximas décadas’. A partir dos últimos relatórios ambientais, constatou-se que o nível da água está diminuindo a uma taxa de um metro e meio por ano. E que, nos últimos 40 anos, o volume total da bacia foi reduzido em 35%”.

Mineração e outros usos
A Folha de S. Paulo também abordou o tema. A retração do Mar Morto é fato, mas o jornal chama a atenção para a oportunidade que se abre. Com a retração, abrem-se enorme buracos. nas margens. “Hoje há um total de 6,5 mil crateras ao longo das bordas”. A Folha explica que isso acontece pelas razões já mencionadas, a grande evaporação e a escassez de água em razão do uso para fins agrícolas ‘e para obtenção de água potável necessária para uma crescente população em Israel’. Para o jornal, outro dos motivos é a mineração na região. Segundo a Folha, ‘ambientalistas atribuem a situação a uma gestão hídrica falha no Oriente Médio, onde a instabilidade política impede o consenso para acordos internacionais que possam refrear o fenômeno’.

A oportunidade
A BBC ouviu o pesquisador Eli Raza, que estuda os poços há 17 anos. Ele tem levado grupos para visitarem as crateras. E diz: “a crise hídrica deve servir para que as pessoas conheçam a crise do Mar Morto, para que entendam o que acontece”. E arremata: “as pessoas que vêm aqui ficam impressionadas com o cenário que é muito lindo.” Para Raza, ‘disponibilizar uma forma segura de chegar a esses locais seria um modo de mostrar ao mundo o que acontece, e, além disso, reativar o turismo’. A Folha encerra, porém, com um alerta: “Por enquanto a região só tem colhido revezes turísticos da tragédia ambiental: nos últimos anos, duas das mais turísticas praias na área e o resort Mineral Beach foram fechados por culpa da retração do mar.”



 
0 COMENTÁRIO
Feito! Comentário enviada com sucesso.
Aguarde que logo iremos aprovar!
Whatsapp (82) 9-9999-6398
Telefone (82) 9-9999-6398
WWW.XBREPORTER.COM.BR
Todos os direitos reservados 2021